quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Lobotomia

A faca rezou pedaços de mim
Na mesa dos teus planos
Tanto fui filha da ausência
Quanto suicídio verbal no caule das meias verdades

Meu próprio estupro
Trapos de desengano

Quem me perguntou
Por que o mais extirpar
Se não a foice dourando um colar?

Estuda, disseca e engole
Um sorriso orvalhado de esquecimento

O dia seguinte não trará um berço para nós

6 comentários:

Alian disse...

rita ,minha cara, gostei de tofod ,um mais estranho que ooutro...rsrsrsrs Maravilha!!

Rogers Silva disse...

uma coisa importantíssima para um escritor - estilo. e isso você tem.
atté.

Binho Santos disse...

Rita,

Isso é uma obra-prima. Você é uma poeta de imagens que não chegam ao surresalismo: elas são duras, cruéis, quase como se atingissem uma realidade mais real que ela mesma. "Suicídio verbal no caule da meias verdades" é a própria dissecação impingida pela dor de se saber mais que os outros, ou menos, ou nada. Mas, desse enxergar-não-enxergando, ao mesmo tempo em que se enxerga-enxergando, o que resta é a poesia aberta, com as suas vísceras agonizantes e expostas às pisadas.

Wallace Fauth disse...

Intrigante, também...
Bons poemas
Bom blog.

Nicolas disse...

Também gostei, nada de estranho

O esconderijo do Pinico disse...

Muito bom, forte, mas não forçado
na medida da distonância que cabe na febre bem desenhada!

muito muito bom!

 



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