terça-feira, 22 de setembro de 2009

Anatomia dos lençóis







I


As rasuras coaguladas me aprisionam
Em entregas adormecidas
O plano étereo decodificado nos músculos sádicos
Siglas enforcadas
Esses são os olhos massacrados do meu amor

A tentativa de fuga me espia pela janela
Quimeras gelatinosas serrando a mandíbula das palavras
que escorrega dos muros não digeridos
Há um pântano no céu de nuvens roxas

O que escorre destes tubos alucinados
Me desperta com a ossatura do silêncio

Cada víscera dissecada
É o presente que me escapa
Nas tardes infantis
Em que esquecemos nossos óculos em abismos apaixonados

Desconfio que teu bisturi
Apronta armadilhas no meu crânio
enfileirado nas paredes de seda
E nosso relatório de conclusões
Respira um ar perigoso

Não há medicina que nos salve
Dos corpos desistegrados e magnéticos
que sabem tudo sobre nós
que nos mastiga com ruídos impiedosos
Para isso,não há descanso,nem suporte

Vide anexo para minhas ilusões mais tristonhas
Não há salvação para o corbertor da tua pele
Nem para a cortina de órbitas sagradas
Esse estudo não tem fim

Ilhada,adianto as costuras
Permaneço fotografando a morte

II

Maculado e inacessível
O ventre dos pertences das moscas
que batem na minha porta
exigindo compreensão
ruminando asas doces e cruéis

Escuto a mesma música
Na tentativa de resgate de batimentos viciados
Tenho munição o suficiente para suportar cada beijo
Interrogações de esfinge leitosa
Tenho êxtase o sufiente para me arrebentar deitada

Repetições aleatórias são a chance
de desvendar o anagrama das serpentes
E paralisar minha idéias de roda-gigante
O arrepio maquinário de línguas atômicas
O arrepio da lucidez dos chicotes
eles sorriem para cada laceração

é tão tarde para escrever
e eu ainda nem comecei
Faço das ruínas meu confessionário
E de cada palavra um leque impossível
As estátuas escrevem em seus diários nauseantes
E não consigo pertencer a nada
Impregnada do sentimento de Unidade

6 comentários:

vah...em minhas transições disse...

conheci vc pelo livro "Bar do Escritor" através do meu professor de Filosofia, o Filipe Celeti...
bom, vc escreve geniavelmente bem...posso te linkar??
já sou sua seguidora!

bjo
Vah=]

Edir Augusto Dias disse...

Surreais as imagens e metáforas transgressoras dos teus poemas... impactos de estranhamentos. os esdrúxulos da poesia. gostei como vc faz com que isso não pareça forçado, mas flua elegantemente, como se a gente escorregasse num tobogã imaginário... de verso em verso a pulsação ritmada e a respiração acelerada, não há descanso, nem intervalo, somos capturados inteiramente. não sei se acarinham ou cortam... impossível é não sentir na própria carne.lindos poemas!

bjs
ed

fellini ? disse...

devir intenso. ritornellos&mamadjambos.saltarellos.

fellini?

Reflexo d Alma disse...

Ei!
Chegando pra conhecer...

Mas não é sempre assim?
" tão tarde para escrever
e eu ainda nem comecei"

Bjins entre sonhos e delírios

MAILSON FURTADO disse...

Excelente texto!!!

Parabéns, belo blog...

PARABÉNS!!!

Acesse:
http://mailsonfurtado.blogspot.com

Juan Moravagine Carneiro disse...

Que intensidade...
que sensibilidade!

 



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